Ladrões levaram mais de US$ 100 milhões em equipamentos de data center nos EUA, diz NBC
Quadrilhas invadem contas de frete, atacam escoltas e falsificam o GPS para levar servidores
Cargas de equipamentos para data centers viraram alvo de quadrilhas nos Estados Unidos. Segundo reportagem da NBC News publicada na segunda-feira (26/10), ladrões levaram mais de US$ 100 milhões em cargas destinadas a data centers desde junho, cerca de R$ 533 milhões em conversão direta pela cotação PTAX de venda de 27/10. A emissora ouviu executivos do setor, consultores e investigadores que assessoram a polícia.
Entre os itens mais visados, segundo a NBC, estão servidores, cabos de fibra óptica, chips de memória, fios de cobre e máquinas de mineração de bitcoin. "É como roubar barras de ouro puro", disse à emissora Keith Lewis, chefe de operações da Verisk CargoNet, empresa que monitora roubos de carga. "É muito mais fácil roubar isso do que assaltar um banco."
Escoltas atacadas e GPS falsificado
Em dois dos maiores casos levantados pela reportagem, nada foi recuperado, e as escoltas contratadas para proteger as cargas foram tiradas do caminho. No início de junho, um reboque com cerca de US$ 13 milhões em equipamentos de servidores seguia para Fayetteville, na Geórgia, onde fica um dos maiores complexos de data centers do país. Um sedã sem identificação bateu no carro de dois policiais de folga que faziam a escolta, e o caminhão seguiu viagem enquanto eles paravam.
"O acidente não foi um acidente. Os bandidos queriam aquela carga, então tiraram as escoltas do caminho de propósito", disse à NBC o investigador particular Gerardo Pachuca, ex-policial do Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles (LASD).
O mesmo aconteceu com uma carga que saiu da Califórnia rumo ao Texas, com componentes de racks de servidores avaliados em cerca de US$ 10 milhões. Um SUV atingiu o carro da escolta, e o reboque fugiu. A carga era acompanhada por um aplicativo de rastreamento, mas, segundo a NBC, as coordenadas de localização tinham sido aparentemente falsificadas.

Imagem: PiDatacenters/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Contas invadidas e compradores no exterior
Segundo os especialistas ouvidos pela emissora, os criminosos invadem contas de corretoras de frete em sites de anúncio de cargas e publicam fretes falsos para atrair transportadoras. Quem responde recebe um link malicioso que dá aos golpistas o controle da conta, usada depois para disputar cargas reais. Às vezes, um motorista de verdade é contratado sem saber do golpe. Em outros casos, cúmplices são contratados com carteiras de motorista falsas, criadas com inteligência artificial. "É assim que a maior parte está sendo feita", disse à NBC o sargento David Pantoja, do LASD.
Algumas cargas levavam só equipamentos de data center. Em Illinois, o Gabinete do Xerife do Condado de Cook estimou que dois reboques roubados tinham cerca de US$ 300 mil em bobinas de fio de cobre e cerca de US$ 1 milhão em equipamentos modulares de energia feitos sob medida para data centers. Outras misturavam produtos: em Los Angeles, o LASD recuperou equipamentos de refrigeração de data center destinados à Deepcool AI no meio de sachês de nicotina, televisores, calçados e impressoras.
Segundo os investigadores, esse tipo de equipamento raramente vai parar em sites de venda. Muitas vezes, já existe um comprador no exterior antes do roubo, principalmente em países com acesso restrito à tecnologia dos EUA, como a China. A reportagem cita ainda a Verified Carrier, plataforma de verificação de transportadoras, que diz ter visto neste ano atividade suspeita ligada a roubos de carga nos EUA na Índia, no Uzbequistão, no Paquistão, na Colômbia e na Moldávia.
"São quadrilhas internacionais. Funcionam como grandes empresas", disse David Warrick, da Overhaul, empresa de gestão da cadeia de suprimentos. "Elas se infiltraram nas cadeias de suprimentos em todos os níveis, entre motoristas e operadores de armazéns. Sabem onde estão todos os produtos de alto valor, sabem quem os negocia e procuram os pontos fracos da cadeia para explorá-los."
Para Scott Cornell, presidente da TAPA Americas, associação de segurança da cadeia de suprimentos, a saída passa por checar melhor quem dirige os caminhões. "Isso só funciona se os motoristas não forem verificados direito", disse. No Brasil, a LAG mostrou neste mês que uma carga de placas RTX 5090 avaliada em R$ 2,5 milhões sumiu em Guarulhos, segundo a distribuidora Oderço.
Imagem de capa: Carl Lender/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Fonte: NBC News